Lidar com problemas de desempenho faz parte da rotina empresarial. No entanto, quando a situação evolui para uma advertência, medida disciplinar ou até mesmo uma demissão, a empresa precisa estar preparada para demonstrar os motivos que levaram à decisão.
Em uma reclamação trabalhista, justificativas genéricas como “baixo desempenho” ou “falta de alinhamento” podem ser questionadas quando não existem registros que comprovem os fatos.
A documentação adequada permite demonstrar que a decisão foi tomada com base em critérios objetivos e que a empresa agiu de forma transparente durante a relação de trabalho.
O primeiro passo é definir expectativas claras
Muitos conflitos relacionados ao desempenho surgem quando não existem critérios objetivos para avaliar a atuação do empregado.
Por isso, é importante que a empresa estabeleça expectativas relacionadas à função exercida, como metas, prazos, qualidade das entregas e demais requisitos profissionais.
Quando essas informações são claras e comunicadas ao empregado, a empresa reduz o risco de questionamentos sobre avaliações negativas ou decisões de desligamento.
Registre fatos, não opiniões
Um dos principais cuidados na documentação de desempenho é evitar registros baseados em percepções pessoais.
Comentários como “não é comprometido” ou “não possui postura adequada” podem ser considerados subjetivos quando não apresentam fatos que sustentem essas conclusões.
O ideal é registrar situações concretas, indicando o que ocorreu, quando aconteceu, qual era a expectativa da empresa, quais orientações foram realizadas e quais medidas foram adotadas.
Feedbacks precisam ser registrados e acompanhados
Conversas de alinhamento e orientações relacionadas ao desempenho devem fazer parte do histórico profissional do empregado.
Registros de feedbacks, reuniões e comunicações formais ajudam a demonstrar que a empresa identificou o problema, comunicou o empregado e buscou alternativas antes de uma eventual medida mais severa.
Esse histórico é importante para comprovar que a decisão não foi tomada de forma repentina ou arbitrária.
A empresa deve oferecer oportunidade de melhoria
Antes de uma decisão definitiva, é recomendável que a empresa permita que o empregado compreenda os pontos que precisam ser ajustados e tenha oportunidade de melhorar seu desempenho.
Dependendo do caso, isso pode envolver orientações, treinamentos ou acompanhamento mais próximo.
Além de contribuir para uma gestão adequada, essa postura demonstra que a empresa adotou medidas proporcionais antes do desligamento.
Atenção aos riscos de discriminação e assédio
Outro ponto de atenção envolve situações em que o empregado alega que a demissão ocorreu por motivo discriminatório.
Questionamentos relacionados a doença, idade, raça, orientação sexual ou outras características pessoais podem gerar passivos trabalhistas caso a empresa não consiga demonstrar que a decisão teve fundamento profissional.
Por isso, os motivos do desligamento devem estar relacionados a critérios objetivos e vinculados ao trabalho realizado, sem qualquer relação com aspectos pessoais do empregado.
Documentação não substitui uma boa gestão
A documentação é uma ferramenta de segurança jurídica, mas não deve ser criada apenas no momento da demissão.
Registros produzidos ao longo da relação de trabalho demonstram o histórico da situação e ajudam a comprovar a legitimidade das decisões tomadas pela empresa.
O Kipper Gewehr Advogados oferece orientação jurídica estratégica para empresas que desejam estruturar seus procedimentos trabalhistas de forma segura, desde a criação de práticas de acompanhamento de desempenho até a análise de situações que envolvam medidas disciplinares ou desligamentos. Com uma atuação preventiva, é possível reduzir riscos e evitar que falhas na gestão se transformem em passivos trabalhistas.
Fonte: Psicosmart, CLT
Fale com um de nossos advogados clicando aqui e saiba como podemos orientar sua empresa.
Imagem: Magnific