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Como documentar problemas de desempenho sem criar um passivo trabalhista

21 AGO, 2026

Lidar com problemas de desempenho faz parte da rotina empresarial. No entanto, quando a situação evolui para uma advertência, medida disciplinar ou até mesmo uma demissão, a empresa precisa estar preparada para demonstrar os motivos que levaram à decisão.

Em uma reclamação trabalhista, justificativas genéricas como “baixo desempenho” ou “falta de alinhamento” podem ser questionadas quando não existem registros que comprovem os fatos.

A documentação adequada permite demonstrar que a decisão foi tomada com base em critérios objetivos e que a empresa agiu de forma transparente durante a relação de trabalho.

O primeiro passo é definir expectativas claras

Muitos conflitos relacionados ao desempenho surgem quando não existem critérios objetivos para avaliar a atuação do empregado.

Por isso, é importante que a empresa estabeleça expectativas relacionadas à função exercida, como metas, prazos, qualidade das entregas e demais requisitos profissionais.

Quando essas informações são claras e comunicadas ao empregado, a empresa reduz o risco de questionamentos sobre avaliações negativas ou decisões de desligamento.

Registre fatos, não opiniões

Um dos principais cuidados na documentação de desempenho é evitar registros baseados em percepções pessoais.

Comentários como “não é comprometido” ou “não possui postura adequada” podem ser considerados subjetivos quando não apresentam fatos que sustentem essas conclusões.

O ideal é registrar situações concretas, indicando o que ocorreu, quando aconteceu, qual era a expectativa da empresa, quais orientações foram realizadas e quais medidas foram adotadas.

Feedbacks precisam ser registrados e acompanhados

Conversas de alinhamento e orientações relacionadas ao desempenho devem fazer parte do histórico profissional do empregado.

Registros de feedbacks, reuniões e comunicações formais ajudam a demonstrar que a empresa identificou o problema, comunicou o empregado e buscou alternativas antes de uma eventual medida mais severa.

Esse histórico é importante para comprovar que a decisão não foi tomada de forma repentina ou arbitrária.

A empresa deve oferecer oportunidade de melhoria

Antes de uma decisão definitiva, é recomendável que a empresa permita que o empregado compreenda os pontos que precisam ser ajustados e tenha oportunidade de melhorar seu desempenho.

Dependendo do caso, isso pode envolver orientações, treinamentos ou acompanhamento mais próximo.

Além de contribuir para uma gestão adequada, essa postura demonstra que a empresa adotou medidas proporcionais antes do desligamento.

Atenção aos riscos de discriminação e assédio

Outro ponto de atenção envolve situações em que o empregado alega que a demissão ocorreu por motivo discriminatório.

Questionamentos relacionados a doença, idade, raça, orientação sexual ou outras características pessoais podem gerar passivos trabalhistas caso a empresa não consiga demonstrar que a decisão teve fundamento profissional.

Por isso, os motivos do desligamento devem estar relacionados a critérios objetivos e vinculados ao trabalho realizado, sem qualquer relação com aspectos pessoais do empregado.

Documentação não substitui uma boa gestão

A documentação é uma ferramenta de segurança jurídica, mas não deve ser criada apenas no momento da demissão.

Registros produzidos ao longo da relação de trabalho demonstram o histórico da situação e ajudam a comprovar a legitimidade das decisões tomadas pela empresa.

O Kipper Gewehr Advogados oferece orientação jurídica estratégica para empresas que desejam estruturar seus procedimentos trabalhistas de forma segura, desde a criação de práticas de acompanhamento de desempenho até a análise de situações que envolvam medidas disciplinares ou desligamentos. Com uma atuação preventiva, é possível reduzir riscos e evitar que falhas na gestão se transformem em passivos trabalhistas.

Fonte: Psicosmart, CLT

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Imagem: Magnific